O que é NCM e qual a importância da classificação fiscal na importação e exportação?

Descubra o que é a Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM). Entenda a sua estrutura, a relação com a Nota Fiscal e a importância de uma classificação fiscal exata para evitar multas e atrasos nas suas operações de importação e exportação. 

Isabella Oliveira | February 24, 2026
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Todos os dias, milhares de notas fiscais circulam no mercado brasileiro. Cada uma delas contém informações importantes sobre o produto que está sendo comercializado, como valor, marca e modelo. Mas, por trás de todas essas descrições, existe um código numérico fundamental, o código NCM. Sem ele, nenhum produto entra, sai ou sequer circula legalmente no país. 

Nomenclatura Comum do Mercosul: o que é? 

A Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) é o sistema de classificação adotado por Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai para identificar mercadorias. O seu uso é obrigatório tanto nas operações de comércio exterior (com qualquer país do mundo) quanto na circulação interna de produtos. Criado em 1995, o código NCM funciona como o “RG” dos produtos, permitindo que a administração pública e as empresas falem a mesma língua técnica. 

No entanto, a NCM não é um código isolado. Ela foi estruturada com base no Sistema Harmonizado (SH), que é um código padronizado internacional de classificação, mantido pela Organização Mundial das Alfândegas (OMA). 

O Sistema Harmonizado (SH) 

O SH é utilizado por mais de 200 países para uniformizar o comércio internacional. Ele garante que, independentemente do idioma, os primeiros seis dígitos de um código identifiquem o mesmo produto em qualquer lugar do mundo. Isso facilita a coleta de estatísticas mundiais e a aplicação de tarifas alfandegárias padronizadas. 

A NCM utiliza a base de seis dígitos do SH e adiciona dois dígitos extras (o 7º e o 8º), específicos para as necessidades do Mercosul. 

Como funciona a estrutura do código NCM? 

A estrutura do código NCM é simples, segue uma lógica de classificação que parte da categoria geral do produto e vai afunilando até chegar à sua especificação exata: 

 

  • Capítulo (1º e 2º dígitos): identifica a característica principal e mais ampla da mercadoria (por exemplo, se é um produto de origem animal, vegetal ou um maquinário).
     
  • Posição (3º e 4º dígitos): detalha as características do produto dentro daquele capítulo específico.
     
  • Subposição (5º e 6º dígitos): refina ainda mais a identificação. Até o sexto dígito, o código segue o padrão internacional do SH, ou seja, é o mesmo em grande parte do mundo.
     
  • Item (7º dígito): inicia o detalhamento regional, trazendo uma classificação específica para os países membros do Mercosul.
     
  • Subitem (8º dígito): representa a descrição mais exata e final da mercadoria, sendo o nível máximo de detalhamento para definir o enquadramento aduaneiro e tributário da operação.

Vamos analisar a estrutura de um código NCM de um notebook comum (pesando menos de 3,5 kg) como exemplo: 

  • Capítulo 84: máquinas, aparelhos e instrumentos mecânicos, e suas partes. (O grupo mais amplo de maquinário).
     
  • Posição 8471: máquinas automáticas para processamento de dados e suas unidades. (Afunila especificamente para computadores).
     
  • Subposição 8471.30: máquinas portáteis, de peso não superior a 10 kg, contendo pelo menos uma unidade central de processamento, um teclado e uma tela. (Atenção: até aqui, os seis primeiros dígitos — 8471.30 — formam o padrão internacional do Sistema Harmonizado, válido no mundo todo).
     
  • Item 8471.30.1: de peso inferior a 3,5 kg, com teclado alfanumérico e tela de área superior a 140 cm². (A partir do sétimo dígito, o detalhamento passa a ser exclusivo dos países do Mercosul).
     
  • Subitem 8471.30.12: é o código final e exato para este tipo específico de computador portátil. É ele que vai na nota fiscal e define todas as alíquotas de importação e tributação interna da mercadoria. 

Qual a importância e utilidade do código NCM? 

O código NCM não é um simples número de cadastro, perante o governo e os órgãos fiscalizadores, ele é a identidade oficial da mercadoria. A partir da NCM, toda a lógica de compliance, tributação e controle da cadeia de suprimentos é definida. A Nomenclatura Comum do Mercosul serve para: 

  • Definir os tributos devidos na operação: a NCM é a base exata para o cálculo de impostos incidentes sobre o produto, tanto no mercado interno (como IPI e ICMS) quanto no comércio exterior (Imposto de Importação, PIS/COFINS-Importação). O código dita se a mercadoria possui benefícios fiscais, isenções ou se é altamente taxada.
     
  • Para o controle aduaneiro e administrativo: é o código que acusa se a mercadoria exige licenças especiais (como a Licença de Importação – LI) ou se precisa passar pela fiscalização e anuência de órgãos reguladores, como Anvisa, MAPA, Ibama ou Inmetro, antes de ser liberada.
     
  • Produzir estatísticas e dados da balança comercial: os governos utilizam esses códigos para mapear com precisão o que está sendo importado e exportado. Isso gera os dados da balança comercial e fundamenta a criação de políticas econômicas e acordos internacionais.
     
  • Aplicação de medidas de proteção comercial: a partir da NCM, o governo consegue aplicar medidas de proteção à indústria nacional, como direitos antidumping ou salvaguardas contra a entrada predatória de produtos estrangeiros. 

Quais são as penalizações pelo uso incorreto da NCM? 

Errar a NCM, seja por falta de conhecimento técnico ou na tentativa de reduzir a carga tributária, é um dos maiores riscos para importadores e exportadores.  

Uma classificação incorreta (conhecida como erro de enquadramento tarifário) resulta em mercadorias paradas na alfândega, quebra na previsibilidade logística e multas severas aplicadas pela Receita Federal, que autua a empresa tanto pelo erro na declaração quanto pela diferença dos impostos recolhidos a menor. 

O artigo nº 711 do Regulamento Aduaneiro define que a classificação incorreta de mercadorias pode gerar multas que chegam a 15% sobre o valor do produto + 1% sobre do valor aduaneiro. 

Como saber a tributação da mercadoria pela NCM? 

Primeiro, é preciso saber como consultar a Tabela NCM. Atualmente, isso é possível pelo Portal Único Siscomex, na aba Classif (que fica disponível tanto ao clicar no módulo importação quanto no módulo exportação).

Ao selecionar a opção “Consultar”, é possível acessar a tabela oficial disponibilizada pelo Governo Federal e, como o próprio nome já diz, consultar o código NCM do produto que se pretende importar ou exportar no campo de pesquisa. 

Tendo encontrado o código NCM do seu produto na tabela, é possível consultar seu tratamento administrativo ou tributário clicando na aba “imp” se for uma operação de importação e “exp” se for uma operação de exportação.

Ao clicar, você terá todas as informações sobre as tributações incidentes sobre o produto, de acordo com as especificações da sua operação.  

Qual a relação da NCM e da Nota Fiscal? 

A relação entre a Nomenclatura Comum do Mercosul e a Nota Fiscal Eletrônica é de total dependência. É tecnicamente impossível faturar uma NF-e sem informar o campo da NCM, e, consequentemente, é impossível  vender ou movimentar um produto de forma legal no Brasil sem a nota faturada. 

Portanto, a presença de um código NCM válido com 8 dígitos é uma exigência estrutural do arquivo XML da Nota Fiscal. Se o emissor deixar o campo em branco ou preencher com um código inexistente, a Secretaria da Fazenda (SEFAZ) bloqueia a emissão imediatamente, retornando o clássico erro de Rejeição  Rejeição 778: Informado NCM inexistente). 

Além disso, é o código NCM informado na nota que aciona as regras de negócio no sistema ERP da empresa, para calcular as alíquotas corretas de ICMS, IPI, PIS e COFINS. Além disso, a NCM define se a operação se enquadra em regras específicas de substituição tributária (CEST), isenções ou reduções de base de cálculo. Ou seja, é o motor do cálculo tributário do  sistema.  

E, ao transmitir a NF-e, a empresa informa a NCM do produto que deseja comercializar diretamente para o banco de dados da Receita Federal. O fisco utiliza supercomputadores para cruzar a descrição do produto com o código e as alíquotas aplicadas. Como já mencionamos, qualquer divergência entre o que o produto a NCM declarada na nota é rapidamente identificada, expondo a empresa a multas e passivos fiscais. 

Quais são os códigos NCM para importação de serviços?  

Como a NCM é exclusiva para produtos físicos, ela não abrange a prestação de serviços. Portanto, ao emitir uma nota fiscal referente a um serviço ou a uma transferência de crédito, a regra é simples: basta preencher o campo da NCM com o código “00” para garantir a validação do documento.

Como a tecnologia pode ser uma aliada na classificação fiscal?

A classificação fiscal não permite margem para achismos. Principalmente no Novo Processo de Importação, com a obrigatoriedade do Catálogo de Produtos. O novo sistema exige o preenchimento de atributos específicos que estão diretamente atrelados a cada NCM. Uma classificação imprecisa gera o preenchimento dos atributos não correspondentes com a mercadoria, que pode, como mencionamos, gerar multas e até mesmo travar o registro da DUIMP, impedindo a liberação da carga na alfândega. 

É por isso que contar com tecnologia especialista deixou de ser um diferencial, é fundamental para quem atua no comércio exterior. Com uma solução como o GUEPARDO Global Trade, sua operação ganha inteligência e automação para garantir que a classificação fiscal e a gestão dos atributos no Catálogo de Produtos estejam sempre precisas e atualizadas. Assim, você elimina falhas manuais, blinda a empresa contra passivos fiscais e garante que suas importações e exportações fluam com máxima segurança e agilidade. 

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