Incoterms: o que são, principais tipos e como a escolha define a margem da sua importação

Definir o Incoterm correto vai muito além de uma formalidade contratual: é uma decisão que impacta diretamente a margem de lucro e a segurança da importação. Garantir o controle logístico e evitar custos ocultos, no entanto, não é uma tarefa simples sem a estratégia adequada. Confira o artigo que preparamos detalhando os principais termos, suas regras e como transformar essa escolha em uma vantagem competitiva para o seu negócio! 

Isabella Oliveira | January 26, 2026
Navio de carga com contêineres navegando em alto mar.

Muitos profissionais veem os Incoterms apenas como uma sigla técnica na documentação, mas eles são fundamentais para a estratégia financeira de qualquer operação internacional. 

A função básica desses termos é definir as responsabilidades logísticas entre comprador e vendedor. No entanto, é preciso entender a dinâmica do mercado: todo o custo da operação recai sobre o importador, seja pagando os serviços diretamente ou reembolsando o exportador através do preço do produto. 

Portanto, a escolha do Incoterm é muito menos sobre divisão de custos entre exportador e importador e mais sobre quem terá o controle logístico sobre a mercadoria. 

Neste artigo, explicaremos o conceito, os grupos atuais e como essa decisão impacta diretamente a eficiência e os custos da sua operação de Comex. 

O que são Incoterms? 

Incoterms é a abreviação de International Commercial Terms.  

São um conjunto de normas padronizadas que servem para regular a divisão de responsabilidades entre o vendedor (exportador) e o comprador (importador) durante uma transação internacional. 

Eles funcionam como uma linguagem universal para estabelecer obrigações claras e oferecer segurança jurídica à negociação. 

Ao definir um Incoterm no contrato, ambas as partes sabem exatamente: 

  • Quem contrata o frete e o seguro; 
  • Onde a mercadoria deve ser entregue; 
  • Quem é responsável pelo desembaraço aduaneiro; 
  • Em que momento exato o risco de dano ou perda da carga é transferido de uma empresa para a outra. 

O que é a ICC? 

A ICC (International Chamber of Commerce ou Câmara de Comércio Internacional) é a organização que detém os direitos autorais e a marca registrada dos Incoterms®. 

Sediada na França, a entidade criou essas regras em 1936 e é a única autoridade competente para revisá-las. Essa centralização é fundamental para garantir a padronização global. 

Como a logística internacional é dinâmica, a ICC publica atualizações a cada 10 anos para manter os termos alinhados às novas práticas de mercado e legislações. 

Qual é a versão vigente dos Incoterms? 

A versão oficial e vigente para todas as operações atuais são os Incoterms® 2020, que entraram em vigor em 1º de janeiro de 2020. 

Muitos sites usam o termo “Incoterms” e o ano vigente para indicar que aquele conteúdo está atualizado, mas as regras em si não mudaram. 

 A partir dos anos 1980 a organização adotou um padrão de revisões decenais: 

  • 1980: Revisão focada no tráfego de contêineres; 
  • 1990: Simplificação do transporte multimodal; 
  • 2000: Ajustes nas obrigações alfandegárias; 
  • 2010: Consolidação da família D (criação do DAT e DAP); 
  • 2020: Versão atual (criação do DPU). 
Fonte: De acordo com o histórico publicado no site oficial da ICC. 

Seguindo essa lógica, a próxima grande atualização está prevista apenas para 2030 

Dica: sempre que fechar um contrato, certifique-se de que a cláusula cita explicitamente a versão utilizada (ex: “FCA Santos Port – Incoterms® 2020”). Isso evita ambiguidades, pois juridicamente ainda é possível utilizar versões antigas se ambas as partes concordarem. 

Quais são os grupos de Incoterms? 

A ICC divide os 11 termos em quatro grupos, classificadas pela letra inicial do termo. Essa divisão segue uma lógica de responsabilidade crescente para o exportador: 

Grupo E  

  • EXW (Ex Works): representa a obrigação mínima do vendedor. Ele apenas disponibiliza a mercadoria embalada em sua própria fábrica ou armazém. Todo o resto, ou seja, a coleta, transporte interno, desembaraço de exportação e frete internacional, é responsabilidade e risco do comprador. 

Grupo F  

  • FCA (Free Carrier): o vendedor entrega a carga desembaraçada ao transportador indicado pelo comprador. 
  • FAS (Free Alongside Ship): o vendedor deixa a carga no cais (ao lado do navio). 
  • FOB (Free On Board): o vendedor garante a carga a bordo do navio. A partir desse momento, o risco é do comprador. 

Grupo C 

  • CFR (Cost and Freight): o vendedor paga o frete, mas o risco é transferido no embarque. 
  • CIF (Cost, Insurance and Freight): igual ao CFR, mas o vendedor também paga o seguro. 
  • CPT e CIP: são os equivalentes multimodais (aéreo/rodoviário) para CFR e CIF. 

Grupo D 

  • DAP (Delivered at Place): O vendedor entrega a mercadoria no local de destino, pronta para descarga (a descarga é risco do comprador). 
  • DPU (Delivered at Place Unloaded): O vendedor entrega a mercadoria no destino e assume o risco/custo de descarregá-la. 
  • DDP (Delivered Duty Paid): O vendedor entrega no destino com todos os custos inclusos, inclusive os impostos de importação. 

Quais são os Incoterms mais utilizados? 

A rotina do comércio exterior brasileiro concentra-se majoritariamente em cinco siglas: 

  1. EXW (Ex Works): muito utilizado por grandes indústrias que desejam controlar toda a cadeia logística desde a origem.
     
  1. FCA (Free Carrier):  o termo é frequentemente usado em fretes aéreos, rodoviários ou marítimos onde o importador paga o frete.
     
  1. FOB (Free On Board): é o padrão global para commodities e cargas conteinerizadas no modal marítimo.
     
  1. CFR e CIF: muito comuns quando o exportador tem um volume de carga gigantesco e consegue negociar fretes mais baratos na origem, vendendo o produto com o transporte “incluso”. 

A escolha depende muito do modal de transporte e do poder de negociação. 

Por que a escolha do Incoterm define seu Lucro (e Risco)

É importante que se entenda que, inevitavelmente,  o custo final da operação irá recair sobre o importador, independente do Inconterm acordado. A única diferença é como o dinheiro sai do seu caixa: ou você contrata os serviços diretamente, ou você reembolsa o exportador, que já embutiu esses valores (muitas vezes com margem de lucro extra) no preço do produto. 

Portanto, a verdadeira discussão sobre Incoterms não é sobre “quem paga a conta”, mas sim sobre qual nível de controle você deseja ter sobre a sua carga. Ao optar pelos grupos onde o exportador gerencia a logística (Grupos C e D), você abre mão do controle e fica exposto a riscos que encarecem a operação, como por exemplo: 

  1. Conflito de interesses:o ciclo natural do exportador foca em agilidade: vender, produzir e embarcar imediatamente para liberar estoque. No entanto, a importação no Brasil exige um rigoroso planejamento pré-embarque, incluindo a análise minuciosa da documentação para atender às exigências aduaneiras. Quando o transporte é gerido pelo exportador (CIF/CFR/DAP), há uma tendência de que a carga seja embarcada sem a validação documental do importador. Isso frequentemente resulta na chegada de cargas com documentos inconsistentes, gerando custos de armazenagem enquanto as correções burocráticas são realizadas. 
  2. Falta de previsibilidade: em negociações CFR ou CIF, o exportador contrata o frete internacional até o porto brasileiro. Muitas vezes, para garantir um preço competitivo na venda, o exportador negocia fretes com valores reduzidos na origem.  No destino, o agente de carga designado pelo exportador pode compensar a margem reduzida cobrando taxas locais (Local Charges) inflacionadas do importador no momento da liberação da carga. Como o importador não participou do contrato de transporte, ele não possui poder de barganha sobre essas tarifas. 
  3. Riscos fiscais e regulatórios: embora o Incoterm DDP determine que o vendedor lide com todos os custos da importação, inclusive o pagamento dos impostos, a legislação brasileira diz o contrário. Empresas estrangeiras sem CNPJ não podem recolher tributos federais na importação. Na prática, a operação acaba sendo registrada em nome do importador brasileiro. Isso significa que, perante a Receita Federal, a responsabilidade fiscal e administrativa é da empresa brasileira. Caso ocorra uma revisão aduaneira futura ou aplicação de multas, o passivo recairá sobre o CNPJ do importador. 

Como escolher o Incoterm corretamente? 

Antes de definir o Incoterm é preciso priorizar o controle total da operação. Delegar a logística e o seguro ao exportador é um risco financeiro disfarçado de comodidade. Ao optar por termos onde você detém a gestão, você: impede embarques prematuros com documentação incorreta, elimina taxas “surpresa” cobradas por agentes desconhecidos no destino e garante que, em caso de avaria, o sinistro seja resolvido pela sua própria apólice nacional, sem o pesadelo burocrático de acionar seguradoras estrangeiras.  

Em suma, definir o Incoterm — principalmente na importação — é uma decisão estratégica que precisa levar em conta o cenário da empresa e o tipo de controle que ela tem sobre seus processos de comércio exterior. 

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Com essa visibilidade, a definição do Incoterm deixa de ser uma reação a limitações operacionais e torna-se uma decisão estratégica, focada estritamente na eficiência fiscal e no melhor retorno financeiro para o negócio. 

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