Balança Comercial 2025: análise dos resultados de janeiro a novembro e as perspectivas para o próximo ciclo

O Brasil encerra o ciclo de 2025 com superávit. Analisamos a balança comercial  e como os parceiros comerciais do país ditaram o ritmo do comércio exterior este ano. Entenda o panorama atual para otimizar sua operação no próximo ano com inteligência estratégica. 

Isabella Oliveira | December 22, 2025
Businessman in black suit holding tablet checking goods at cargo container

Já podemos analisar a consolidação anual da balança comercial brasileira de 2025, e, para quem toma decisões de mercado, esse balanço significa muito mais do que estatística. Esse balanço serve para identificar com que fôlego e em qual contexto vamos iniciar o próximo ciclo. Afinal, as tendências, os gargalos e as parcerias comerciais que vimos até aqui são vão ditar o ritmo das negociações do comércio exterior do próximo ano.  

Para este panorama, cruzamos os dados oficiais do ComexStat (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços), que traz os números consolidados de valores e volumes, com as análises do ICOMEX, o Indicador de Comércio Exterior da FGV IBRE.

Fonte: Comex Stat

O saldo acumulado de janeiro a novembro fechou em um Superávit de US$ 57,8 bilhões. Uma queda expressiva ao resultado do saldo do mesmo período, no ano passado, que ficou em US$ 69,5 bilhões.  

O principal fator que explica a redução do superávit em relação ao ano anterior foi que, durante boa parte do ano, o volume importado cresceu em ritmo superior ao exportado, por diversas razões: 

  • Termos de Troca: em diversos momentos, os preços dos produtos que o Brasil compra (importados) caíram mais do que os preços dos produtos que o país vende (exportados). Isso aumentou o poder de compra nacional, incentivando a entrada de mais mercadorias, o que naturalmente reduz o saldo final da balança.
     
  • Investimento em Bens de Capital: ocorreram picos de importação de grandes ativos, como plataformas de petróleo em fevereiro, que geraram um aumento de 127,2% na categoria de Bens de Capital naquele mês.
     
  • Antecipação ao tarifaço: em julho as importações subiram 11%, muitos operadores aumentaram o volume das mercadorias importadas para se  antecipar ao novo “tarifaço” americano de que estava previsto para agosto. 

 

  • Atraso no ciclo da Soja: o início do ano foi marcado por um atraso no ciclo da soja, com queda de 64,4% no volume exportado em janeiro. No entanto, o setor recuperou o fôlego a partir de março, quando a soja passou a representar 70% das exportações da agropecuária.
     

Produtos mais importados de 2025 

Fonte: Comex Stat

A seguir estão listados os 10 produtos mais importados para o Brasil em 2025: 

  1. Óleos combustíveis de petróleo ou de minerais betuminosos (exceto óleos brutos);
  2. Adubos ou fertilizantes químicos (exceto fertilizantes brutos);
  3. Motores e máquinas não elétricos, e suas partes (exceto motores de pistão e geradores);
  4. Veículos automóveis de passageiros
  5. Partes e acessórios dos veículos automotivos
  6. Medicamentos e produtos farmacêuticos, exceto veterinários;
  7. Outros medicamentos, incluindo veterinários;
  8. Válvulas e tubos termiônicas, de cátodo frio ou foto-cátodo, diodos, transistores;
  9. Equipamentos de telecomunicações, incluindo peças e acessórios;
  10. Compostos organo-inorgânicos, compostos heterocíclicos, ácidos nucleicos e seus sais, e sulfonamidas.

Produtos mais exportados de 2025 

Fonte: ComexStat

A seguir estão listados os 10 produtos mais exportados pelo Brasil em 2025: 

  1. Soja; 
  2. Óleos brutos de petróleo ou de minerais betuminosos, crus;
  3. Minério de ferro e seus concentrados
  4. Carne bovina fresca, refrigerada ou congelada
  5. Açúcares e melaços
  6. Café não torrado;
  7. Óleos combustíveis de petróleo ou de minerais betuminosos (exceto óleos brutos); 
  8. Celulose;
  9. Farelos de soja e outros alimentos para animais;
  10. Carnes de aves e suas miudezas comestíveis, frescas, refrigeradas ou congeladas.

Principais países parceiros

Fonte: Comex Stat

A dinâmica com os nossos principais parceiros em 2025 pode ser explicada em três frentes: 

Com a China, o volume de vendas continuou alto, mas o “lucro” do Brasil diminuiu. Isso aconteceu porque os preços internacionais das commodities, como minério de ferro e petróleo, caíram. Além disso, o atraso na safra de soja no início do ano fez com que o superávit com os chineses encolhesse cerca de US$ 5,5 bilhões em comparação ao ano passado. 

Já a Argentina foi a surpresa positiva para a nossa indústria. O Brasil conseguiu reverter déficits e consolidar um saldo positivo de mais de US$ 5 bilhões. O grande destaque foi o setor automotivo, que viu o volume de exportações para o país vizinho saltar 150% logo no primeiro trimestre, sendo o principal fôlego para os produtos manufaturados. 

Os Estados Unidos representaram o maior desafio do ano. Com as novas políticas tarifárias do governo atual, o volume de exportações brasileiras para o país recuou quase 25% entre agosto e outubro. O impacto foi sentido principalmente no aço e no petróleo, forçando as exportadoras brasileiras a buscarem novos países consumidores.  

Conclusão 

Os dados da balança comercial deste ano mostram o terreno onde os importadores e exportadores irão pisar em 2026. Entender esses movimentos é o que diferencia o planejamento estratégico da simples reação ao mercado. 

Para navegar com segurança e agilidade nesse cenário de constantes mudanças, o GUEPARDO Global Trade pode ser seu parceiro estratégico. Nossa solução consolida informações e entrega a inteligência necessária para que sua operação de comércio exterior não apenas acompanhe os fatos, mas antecipe as tendências do mercado global. 

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